sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Igreja, meio humana e meio santa



É comum ouvirmos e lermos que pessoas que frequentam a Igreja demonstram maldade, já o que não frequentam, são melhores, etc. Também é comum, quando acontece algum fato envolvendo algum sacerdote ou com ligação com algum trabalho pastoral, surgirem críticas do tipo: "está vendo? sabia que esse "santinho(a)" era fachada !".

Pois bem, inicialmente é preciso entender a Igreja sob dois aspectos distintos, com um abismo entre eles, mas com uma ligação entre si. Ficou confuso? Não para Deus!

Não existe nenhum ser humano que não tenha sido ou seja pecador, a não ser, Maria, mãe de Jesus, porém, não vou entrar nesse mérito. Os santos, foram pecadores e levaram uma vida humana com dificuldades e tribulações como qualquer ser humano, porém, o que os diferencia é que, durante a caminhada, eles permaneceram na fé, mesmo que tudo conspirasse contra.

Santos, portanto, são modelos a serem seguidos, modelos de perseverança e de um testemunho de fé e de procura por uma vida voltada a Deus e aos Seus mandamentos.

A Igreja, fundada por Cristo, iniciou-se coom Pedro, apóstolo que mais teve dificuldade em entender os ensinamentos do Senhor, devido a sua maneira de enxergar a vida. Veja bem, Pedro negou Cristo três vezes (Mc 14,66-72), além disso, quem conhece as Escrituras, Pedro foi o apóstolo que mais Jesus teve dificuldade em ensinar o Caminho. Porém, foi esse apóstolo que Jesus tomou como pedra de Sua Igreja, por quê? Porque "Deus não escolhe os capacitados mas, capacita os escolhidos". Deus sabe das dificuldades humanas, mas acredita na semente de bondade de cada um.

O lado humano da Igreja é falho, pecador, diria até, imundo e cheio de defeitos, porém, Deus o usa para divulgar a Sua Palavra, pois ninguém, absolutamente, "ninguém é digno que Jesus entre em sua casa, mas uma Palavra de Jesus e todos serão salvos".

Apesar desse lado humano, a Igreja é conduzida pelo Espírito Santo. Isso quer dizer que, mesmo que tudo aparente dar errado, ao final, dará certo. Os meios nunca justificarão os fins, na Igreja.

Vou tentar aqui fazer uma analogia, vamos supor que você encomende um bolo bonito em uma doceria. Chega o dia da festa e você percebe que o bolo está com pouco ou nenhum açúcar, se desespera e pensa, "minha festa será uma desgraça total !". Ao final do evento, as pessoas chegam até você e diz:"olha, nunca comi um bolo tão gostoso, ainda bem que tinha pouco açúcar, pois não queria engordar, outros falarão, como você advinhou que a maior parte dos presentes seriam pessoas diabéticas?" É mais ou menos assim que o Espírito Santo conduz e não há como utilizarmos explicações meramente humanas para explicar isso.

Destarte, vale ressaltar que isso não quer dizer que Deus seja favorável aos erros humanos, ao contrário, triste de quem não procura fazer de sua caminhada na Igreja motivo de ser um ser humano melhor, triste de quem não procura ajudar ao irmão em sofrimento ou necessitado, como bem diz o nosso Santo Padre, Papa Francisco.

Se existem julgamentos, estes não vêm de quem procura usar dos obstáculos da vida uma catálise para melhorar o nosso espírito, mas de quem tem interesse de mostrar mais os obstáculos da vida que a sua capacidade em vencê-los.

Assim, antes de elaborar conceitos sobre a Igreja, procure conhecê-la melhor.

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